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Sequência de desastres eleitorais na Alemanha colocam AfD no poder em vários estados

BERLIM — O governo alemão enfrenta um novo período de turbulência política após uma sequência de derrotas eleitorais da União Democrata-Cri...

BERLIM — O governo alemão enfrenta um novo período de turbulência política após uma sequência de derrotas eleitorais da União Democrata-Cri...

BERLIM — O governo alemão enfrenta um novo período de turbulência política após uma sequência de derrotas eleitorais da União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz. Os resultados das eleições regionais realizadas no último domingo (20) em Mecklenburg-Vorpommern e Berlim ampliaram a pressão sobre o chefe do governo e abriram discussões públicas sobre seu futuro político.

Ao comentar os resultados diante de integrantes de seu partido, Merz classificou a situação como um “desastre”. Nesta segunda-feira, após reunião das lideranças partidárias, o chanceler afirmou que pretende continuar no cargo. Reconheceu, porém, que os resultados foram “dramáticos”, “sem precedentes” e representaram um duro golpe para a CDU, admitindo ainda que sua própria impopularidade contribuiu para o desempenho eleitoral.

O resultado mais expressivo ocorreu em Mecklenburg-Vorpommern, no nordeste alemão. A CDU recebeu apenas 4,9% dos votos, ficando abaixo da cláusula de barreira de 5% e, consequentemente, sem representação no parlamento estadual.

Trata-se, do pior desempenho regional da CDU em cerca de 75 anos. Seu pior resultado anterior citado havia sido de 9%, em Bremen.

A grande beneficiada foi a Alternativa para a Alemanha (AfD), que venceu a eleição em Mecklenburg-Vorpommern com 38,2% dos votos, embora sem alcançar maioria absoluta.

Em Berlim, a AfD terminou em terceiro lugar, mas aumentou sua participação eleitoral em aproximadamente sete pontos percentuais. A CDU, que comandava a capital alemã, perdeu o primeiro lugar para o partido Die Linke, ficando na segunda posição.

Os resultados se somam à derrota sofrida pela CDU em Saxônia-Anhalt, em 6 de setembro, tornando setembro um mês particularmente difícil para o partido do chanceler.

Apesar da pressão, Friedrich Merz procura afastar qualquer perspectiva imediata de renúncia.

O chanceler declarou que ninguém nas reuniões partidárias realizadas após as eleições levantou a questão de sua permanência no cargo. Segundo ele, seu governo continua determinado a enfrentar os desafios históricos do país.

Merz também afirmou enxergar uma transformação profunda no sistema partidário alemão e prometeu continuar com as reformas defendidas pelo governo.

A pressão, entretanto, não começou neste fim de semana. Pesquisa divulgada em setembro e citada na reportagem indica que somente 13% dos alemães consultados estavam satisfeitos com o desempenho de Merz como chanceler. A ascensão eleitoral da AfD também não está limitada ao antigo território da Alemanha Oriental: em outras duas eleições estaduais realizadas neste ano, o partido dobrou sua participação percentual, embora não tenha vencido.

Por enquanto, Friedrich Merz permanece na chancelaria e afirma que pretende continuar governando. O resultado das urnas, porém, deixa evidente uma transformação no cenário partidário alemão, marcada pelo enfraquecimento eleitoral da CDU e pelo crescimento da AfD.

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