CIDADE DO MANSO — O Reino do Manso, que se aproxima de nove anos de história, atravessa sua mais grave crise política e diplomática desde...
CIDADE DO MANSO — O Reino do Manso, que se aproxima de nove anos de história, atravessa sua mais grave crise política e diplomática desde o chamado “Cisma da Lusofonia”. No dia 8 de outubro, foi divulgado no grupo oficial de WhatsApp do Reino, a “Praça das Artes”, que a micronação passava por uma grave crise institucional. A comunicação falava em uma campanha de “grupo estrangeiro” para desacreditar o Reino, em risco ao controle dos espaços e arquivos e em reforço de segurança, com possível retirada de pessoas dos canais oficiais e suspensão do processo eleitoral. No mesmo dia, Aragão rebaixava o Manso. Em poucas horas, o que se apresentava como cuidado preventivo já era um colapso diplomático.
O vazamento que originou a crise
Tudo partiu da circulação de mensagens do chamado grupo dos 1001, um grupo de WhatsApp que reunia o Príncipe Adriano de Marchy, integrantes do PNT e do Régio Tribunal e a própria Rainha Marina I. Os registros indicam uma articulação para excluir membros do MUDA e do Livres da vida pública do Reino. Como o Manso não é aliado desta redação, não há por que suavizar: trata-se de um plano de eliminação política de adversários, conduzido por quem deveria zelar pelas instituições.
A nota de repúdio da Presidência do Parlamento, assinada por Bruno Campos de Castro, atribui a iniciativa ao Príncipe Adriano e classifica a eventual participação de integrantes do Tribunal e da Rainha como de “gravidade sem precedentes”.
A reação do Parlamento
A nota é um dos documentos mais duros já emitidos por uma instituição do Reino contra o próprio governo, e seu teor beira a vergonha alheia: precisa explicar noções básicas de democracia a quem deveria conhecê-las. Seus principais pontos:
“Adversários políticos não são inimigos a serem eliminados. Oposição não é crime. Divergência não é traição.”
As instituições “não pertencem a pessoas, partidos, grupos ou famílias políticas”, mas ao povo manseano.
A Coroa “não pode ser utilizada como instrumento de perseguição política”, e o Régio Tribunal deve permanecer independente e imparcial.
Quem governa hoje pode estar na oposição amanhã, por isso as regras precisam valer para todos.
O Parlamento promete oposição “firme, pública e intransigente” a qualquer projeto de exclusão.
Castro exige que os fatos sejam esclarecidos e que haja responsabilização política caso se confirme participação indevida ou abuso de autoridade. Encerra com o apelo: “defendam a democracia, as instituições, a liberdade”.
A resposta da Coroa: “eles contra nós”
Em vez de esclarecer o conteúdo das mensagens, a Coroa deslocou o debate para o exterior. A Rainha Marina I afirmou que um grupo estrangeiro promove campanha para desacreditar o Reino e busca apoio de outras micronações para que deixem de reconhecê-lo e adotem medidas contra ele. Disse também apurar a participação de pessoas de dentro do Reino e apontou riscos à autonomia e ao controle dos espaços e arquivos do Manso.
O Ofício Diplomático nº 11, assinado pela Rainha e publicado no site oficial, desenvolve a tese de que houve uma articulação, “sob o disfarce de pretensas aspirações democráticas”, que busca destituir a monarquia e impor uma república por pressão política e diplomática e ameaça de insurreição. Segundo ela, entre os envolvidos estão cidadãos de longa trajetória, “outrora considerados leais à Coroa”, agora associados a interesses estrangeiros, que atacariam a honra da Família Real e lançariam “acusações infundadas de segregação e desigualdade”. Ainda segundo a monarca, essa insurreição pretenderia criar um “Tribunal Revolucionário” sob a justificativa de “manutenção da ordem constitucional”, o que o documento chama de contradição.
O ofício, no entanto, não nega nem confirma o conteúdo das mensagens vazadas, o que confere um aspecto de desculpa esfarrapada às declarações da monarca.
Além disso, nenhum dos textos oficiais nomeia o “grupo estrangeiro” nem apresenta prova da suposta interferência. Isso não é acaso, é método. Apontar um inimigo externo vago, difícil de refutar e útil para unir os fiéis é uma tática política de terror antiga, recorrente em regimes de todos os séculos. Na atualidade, analistas e críticos a associam às campanhas de Donald Trump, que atribuem a comunistas, imigrantes, à China ou a outros estrangeiros problemas socioeconômicos de origem doméstica. Em ambos os casos, o “estrangeiro” serve de desculpa para não prestar contas.
Medidas de controle e suspensão eleitoral
A Rainha anunciou reforço de segurança no site, no e-mail institucional, nos grupos de WhatsApp e no servidor do Discord, para prevenir acessos indevidos, ataques cibernéticos e perda de documentos. As providências, segundo ela, “poderão incluir a retirada de pessoas desses espaços e a suspensão temporária do processo eleitoral”, medidas descritas como excepcionais e sujeitas a reavaliação após a apuração dos fatos. A Rainha pediu desculpas pelos transtornos e prometeu contatar os afetados.
Há uma coincidência que não passa despercebida: a articulação revelada pelo vazamento é a exclusão de opositores da vida pública, e as medidas anunciadas incluem retirar pessoas dos espaços do Reino e adiar eleições. O remédio se parece muito com a doença denunciada.
Isolamento diplomático
O Manso expulsou a delegação aragonesa de sua praça pública, e o Régio Tribunal teria feito manifestações reincidentes sobre o assunto. Em 8 de outubro, Aragão respondeu com o Ofício nº 18-2026, emitido em Zaragoza, no qual considera que o Manso se afastou dos princípios que nortearam sua fundação, o rebaixa à condição de “grupo paramicronacional”, deixando de ser micronação, com efeito imediato, e recomenda ao Congresso de Füssen que avalie o mesmo rebaixamento contra o “grupo” e seus gestores. Aragão publicou ainda o Ofício nº 19-2026 em 9 de outubro, cujo conteúdo não foi verificado.
Não é novidade
Esse tipo de conduta não surpreende quem acompanha a Rainha Marina. No início deste ano, ela adotou postura desestabilizadora nos grupos oficiais da União Sinética, em retaliação pelo simples fato de o praesvolí Henrique Severo ter se encontrado com Oscar da Kárnia-Rutênia e de a União Sinética ter sido aceita na Conferência de Santiago. Marina lançou vários textos de protesto e imagens printadas desconexas, que supostamente provariam seus argumentos, gerando desconforto geral entre os cidadãos sinéticos. A tentativa era manipular as decisões do poder executivo de Severo, em total desrespeito à soberania da nação. Reconhece-se, portanto, um comportamento autocrático travestido de democracia e manipulador, que em Marina não é novo.
A expulsão da delegação sinética
Neste domingo, a delegação da União das Repúblicas Soberanas Sinéticas foi expulsa da comunidade manseana de WhatsApp, dias depois de o Manso ter retirado a delegação de Aragão de sua praça pública. A expulsão amplia o isolamento: o Reino fecha as portas a parceiros externos justamente quando acusa estrangeiros de conspirar contra ele. Enquanto isso, o processo eleitoral pode estar suspenso, e as acusações de perseguição à oposição seguem sem resposta pública. Em resposta, Marina também foi expulsa da comunidade da União Sinética.
O conteúdo integral do vazamento ainda não foi publicado em fonte aberta.

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