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Abelardo de la Espriella eleito presidente da Colômbia

BOGOTÁ D.C. — O advogado e ex-comentarista político Abelardo de la Espriella foi eleito neste domingo (21) presidente da Colômbia, ao derro...

BOGOTÁ D.C. — O advogado e ex-comentarista político Abelardo de la Espriella foi eleito neste domingo (21) presidente da Colômbia, ao derro...

BOGOTÁ D.C. — O advogado e ex-comentarista político Abelardo de la Espriella foi eleito neste domingo (21) presidente da Colômbia, ao derrotar no segundo turno o senador governista Iván Cepeda em uma das disputas mais polarizadas da história recente do país.

De la Espriella, que se projetou como um nome de fora da política tradicional, venceu a eleição defendendo uma agenda conservadora, de linha dura na segurança pública e de redução do papel do Estado na economia. Durante a campanha, o presidente eleito buscou se alinhar politicamente a lideranças da direita internacional, como o presidente americano Donald Trump, o argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele.

A vitória de De la Espriella encerra uma campanha marcada pela forte divisão entre dois projetos antagônicos de país. De um lado, o presidente eleito apresentou-se como o candidato da ordem, da autoridade e do combate implacável ao crime. Do outro, Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, defendeu a continuidade da agenda progressista do atual governo, com ênfase em reformas sociais, ampliação do papel do Estado e uma abordagem mais conciliadora para a segurança.

A disputa refletiu uma clivagem territorial e social que vem marcando a política colombiana nos últimos anos. Desde o plebiscito de 2016 sobre o acordo de paz, a Colômbia passou a reproduzir um padrão de voto em que regiões periféricas, mais pobres e historicamente afetadas pela violência armada, tendem a favorecer candidaturas de esquerda, enquanto áreas do centro andino e setores médios e altos urbanos se inclinam mais à direita.

No primeiro turno, De la Espriella já havia saído à frente, com 43,7% dos votos, contra 40,9% de Cepeda, num cenário que reforçou a leitura de um país dividido entre dois modelos de gestão e de sociedade. Cepeda teve melhor desempenho em regiões periféricas, especialmente em áreas do litoral, da Amazônia e próximas à fronteira com a Venezuela, onde o Pacto Histórico concentrou esforços entre comunidades afro-colombianas, indígenas e setores populares. Já De la Espriella consolidou sua força nas regiões centrais, de perfil mais conservador, e entre eleitores de renda média e alta.

Os ecos da explosão social de 2021 também pesaram no pleito. Os protestos daquele ano, que eclodiram durante o governo de Iván Duque contra o modelo econômico, a desigualdade e a política tradicional, ajudaram a impulsionar a ascensão da esquerda que levou Petro ao poder em 2022. Ao mesmo tempo, a reação conservadora a esse ciclo de mobilização abriu espaço para a emergência de uma nova direita populista, da qual De la Espriella se tornou o principal rosto nesta eleição.

Na economia, o presidente eleito prometeu enxugar o Estado, reduzir impostos para empresas e endurecer a política de segurança, enquanto Cepeda defendia o fortalecimento de programas sociais, o incentivo à pequena produção e uma transformação do campo em motor do desenvolvimento nacional.

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