LA PAZ — O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz decretou estado de exceção em todo o país neste sábado (20), em meio à escalada da crise polí...
LA PAZ — O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz decretou estado de exceção em todo o país neste sábado (20), em meio à escalada da crise política e econômica e após mais de 50 dias de bloqueios em rodovias bolivianas.
A medida amplia os poderes do governo para mobilizar as Forças Armadas e a polícia na desobstrução de estradas e na proteção de rotas estratégicas, afetadas por protestos que já comprometem o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diferentes regiões do país.
Em pronunciamento à nação, Paz afirmou que o objetivo do decreto é “restabelecer a ordem, proteger os cidadãos e garantir o fluxo de bens essenciais”. Segundo o presidente, a medida não busca restringir a vida da população, mas “devolver a liberdade ao povo” diante de bloqueios que, segundo ele, passaram a ser usados como instrumento de pressão política.
Pela legislação boliviana, o decreto entra em vigor imediatamente, mas o governo deve comunicar o Congresso em até 24 horas. Os parlamentares, então, terão 72 horas para aprovar ou rejeitar a medida.
Apesar de o governo ter anunciado na sexta-feira um acordo com a Central Operária Boliviana (COB), principal entidade sindical do país, os bloqueios continuaram neste sábado. De acordo com a Administradora Boliviana de Carreteras (ABC), a Bolívia amanheceu com 39 pontos de bloqueio em quatro departamentos: 18 em La Paz, 15 em Cochabamba, quatro em Oruro e dois em Santa Cruz.
Desde as primeiras horas do dia, militares e policiais passaram a se deslocar para áreas consideradas críticas, sobretudo em Cochabamba, um dos principais focos dos protestos. O resguardo militar foi reforçado em pontes e vias que conectam a cidade a outras regiões, enquanto a polícia intensificou patrulhas em municípios como Sacaba. Em La Paz, agentes se concentraram em instalações policiais de El Alto e da Unidade Tática de Operações Policiais (UTOP). Equipamentos pesados também foram mobilizados para liberar estradas bloqueadas.
Os protestos são liderados por sindicatos, organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales, sobretudo em Cochabamba. Muitos dos manifestantes rejeitaram o acordo firmado entre o governo e a COB e mantêm a pressão sobre o Executivo.
A crise teve início após o governo anunciar o corte de subsídios históricos aos combustíveis, em meio à escassez de dólares, ao aumento do déficit fiscal e às negociações com o Fundo Monetário Internacional. Mesmo após recuos em algumas medidas e tentativas de conter a alta nos combustíveis, os protestos se ampliaram e passaram a incluir reivindicações por reajuste salarial, normalização do abastecimento e até a renúncia do presidente.
Segundo Rodrigo Paz, o conflito deixou de ser apenas uma reação à crise econômica e passou a representar uma tentativa organizada de desestabilização institucional. O governo sustenta que a prioridade agora é restabelecer a circulação nas estradas e evitar um agravamento da escassez em centros urbanos, incluindo a capital boliviana.
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